terça-feira, 8 de março de 2011

Escolhas e criação de nossos filhos

 Arroz colorido com farinha de beterraba, feijão, bolo salgado de talos e folhas de couve-flor e beterraba, hamburguer de lentilha, curry de batatas e saladinhas... Este foi o almoço do Benjamin hoje. Comida saudável, gostosa e feita com amor.


Agora que estou grávida, muitas pessoas me questionam sobre se vou "deixar" o Benjamin comer carne. Acho engraçada e estranha esta pergunta. Não se vê por aí ninguém perguntando para um católico se tem certeza que vai mesmo batizar o filho dentro dos rituais de sua religião e levá-lo à sua igreja. Ninguém acha estranho que os pais vistam seus bebês da cabeça aos pés com as cores do Inter e do Grêmio. Alguém pergunta: "Mas tu não vai deixar ele escolher o time para o qual torcer?" Acho que não. Por quê? Porque é ponto pacífico que cada um ensina a seus filhos o que acha que é certo, não é mesmo? Então, não seria natural que eu ensinasse meu filho a ser vegetariano?

Não que eu ache que esta seja uma questão de deixar ou não. Com certeza, não vou proibir que coma carne se quiser. O pai dele não é vegetariano (apesar de admirar e me apoiar em minha escolha) e muito menos o resto da família. Ou seja, proibir pode significar promover uma cruzada do tipo "eu versus todo mundo" e ainda criar confusão e angústia para ele e um baita estresse para mim.
Acho que o que tiver que acontecer deverá ser de forma natural, sem forçar a barra.
Em casa ele só comerá comida vegetariana, pois eu não cozinho carnes. Mas tem a casa dos avós, dos parentes, as festinhas na escola...
Em minha opinião, o que será importante, sim, é explicar para ele o porquê da minha escolha quando ele tiver idade ou mostrar curiosidade sobre o assunto. Vou dizer para ele de onde vem a carne, explicar que a bandeijinha no super ou o bife do prato são pedaços da vaquinha que vemos pastando ou da galinha que vemos no galinheiro ciscando. Acho que isso não pode ser negado a ele, não posso deixá-lo crescer sem saber a verdade, sem fazer esta associação. Mas, ao mesmo tempo, não posso também deixá-lo crescer sem a lição maior e que considero a mais importante: que em casa fazemos assim, mas outras pessoas fazem de outro jeito e que cada um faz suas escolhas, possui seu modo de vida e merece ser respeitado por isso. Se meu filho for vegetariano, óbvio, vou ficar feliz da vida, mas se ele for uma pessoa respeitosa, tolerante e solidária, aí, sim, cumpri minha missão como mãe.

4 comentários:

  1. É isso aí, Aline!
    Bem assim que eu penso...
    Nada mais normal do que nossos filhos se alimentarem conforme nossas crenças e no momento certo, aos poucos, com muita conversa e abertura, que possam tomar suas próprias decisões!
    É assim com quem come carne, por que não seria com quem não come?!
    Beijinhos! =)

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  2. Oi Aline... qnto tempo heim!

    Primeiramente, quero parabelizá-la pelo Benjamim, seu menininho de nome lindo!

    Em segundo, essa do time de futebol e religião, falou tudo. Bebê já nasce determinado a seguir a religião dos pais e o time da família... e são essas mesmas pessoas que a questionam sobre o vegetarianismo do Ben jamim, imagino eu, ironia não é mesmo.
    Pq forçá-lo a comer carne, qndo incentivá-lo a não comer é tão mais saudável e puro.
    Meu filho mais velho por exemplo... foi aos poucos se rendendo ao vegetarianismo. Confesso que na minha fase vegana, que durou alguns meses, deixou ele meio deprimido, insatisfeito com a alimentação, mais logo parei com tanto radicalismo, e hoje ele pergunta quando vou fazer tofu, mesmo eu deixando em aberto a opção para ele escolher qualquer coisa para comer na rua (restaurante, praça de alimentação), ele nunca escolhe nada com carne, não forço nada, apenas digo que em casa não irei comprar e nem fazer nada de carne para ele, mais qndo ele sentir vontade, a escolha é dele, ele sabe muito bem o que está fazendo.

    É isso, uma boa semana e tudo de bom.

    Aquele abraço!

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  3. Oi Aline! Tudo bem?

    Antes de mais nada, parabéns pelo filho!

    Nossos filhos devem ter suas próprias escolhas como realmente você disse. A presença sua e de seu marido, serão fundamentais para que ele se expresse conforme sua própria natureza. Assim, acredito que o ensinamento que leva a compreensão da importância da natureza e todos os seus seres senscientes e a própria inserção dele como parte deste todo, vai fazer com que, naturalmente, ele a ame e muito provávelmente será um vegetariano.

    Abraços

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  4. Todos nós, desde pequenos, temos grande afeição por animais, vivos. Eu não sei em que dia me deram um animal para comer, mas sei exatamente o dia em que parei de contribuir com esta loucura. Parabéns Aline!
    Quanto aos filhos seguirem os ensinamentos dos pais, como religião e clube de futebol, acredito que a influência pode ter um papel substancial nestas escolhas. Entretanto, isso não é peremptório, uma vez que assim que chega-se à adolescência tudo muda nas cabecinhas dos pequenos e passa-se a fazer intermináveis questionamentos.
    Nada é determinante nesta vida, cada indivíduo tem o poder de escolher de que forma se posicionará e portará perante a vida. A ti cabe, somente, ensinar pra ele as relações existentes no ato de comer carne e torcer que ele seja vegetariano. O que, com base nas novas gerações que têm vindo por aí, com um alto nível de consciência e sensibilidade, é uma possibilidade bastante provável.
    Beijo do primão!

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