domingo, 21 de novembro de 2010

Mudando a forma de nascer, mudamos o mundo

Vamos deixar o bebê. E entregá-lo, por alguns momentos, à mãe, depois de ele ter provado as alegrias da solidão, da imobilidade.
Deitado sobre o peito querido, orelha contra coração, o bebê reencontra o som e o ritmo familiar.
Tudo está feito. Tudo é perfeito.
Esses dois seres que lutaram corajosamente, transformam-se num só.
(Frédérick Leboyer)


Por volta de década de 1970, um obstetra francês comum, homem apressado e que fazia inúmeros partos por dia entrou em crise com seu trabalho. Surgiu, então, a oportunidade de viajar à Índia, onde fez terapia oriental com um guru e reavaliou seu trabalho como parteiro. Este homem foi Frédérick Leboyer, autor do clássico da humanização do parto Nascer Sorrindo. Li este livro faz pouco, na verdade, devorei-o em um dia, após ganhá-lo de presente uma amiga querida. É lindo, tocante, e eu o colocaria entre as "leituras obrigatórias" de todos os casais grávidos. Nele, o obstetra defende uma forma menos violenta de nascer: sala com pouca luz, silêncio, massagem nas costinhas do bebê, sem pendurá-lo pelos pés, nem dar palmadas para abrir os pulmões. Um outro aspecto importante é não cortar o cordão umbilical de imediato, esperando que ele pare de pulsar para que a transição respiratória se dê de forma mais suave para o recém-nascido.
Em outras palavras, o que ele propõe é que se trate com o respeito e a reverência necessários o momento mais Sagrado do mundo: o vir à luz, momento de celebração da Vida, em que os protagonistas são mamãe e bebê. Simples assim.



  • Imagem do livro Nascer Sorrindo, foto de Frédérick Leboyer
  • O título do post faz referência à frase de Michel Odent, também obstetra francês ativista da humanização do parto: "Se quisermos mudar o mundo, devemos mudar a forma como nascemos."

2 comentários:

  1. Olha como são as coisas! Sexta-feira eu gostaria de ter levado um livro para você, mas não consegui pegar durante a semana. Se trata do Shantala, do mesmo autor que vc fala hoje. Dei para minha cumadre quando a minha afilhada nasceu. Ela usou bastante na Duda que hoje tem 3 anos. Já pedi para ela e assim que estiver com ele dou um jeito de te entregar. Creio que vai gostar.

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  2. Achei maravilhoso seu texto. Eu sou mãe de dois (Nath 15a e Guga 13a) e estou esperando o terceiro bebê, estou de 25 semanas. Nunca tiver pressa e nem pensava muito nesse lance de voltar a ficar em forma rápido, e acho que isso contribuia muito, porque sempre fiquei curtindo a cria, amamentado e rapidinho estava tudo no lugar ou quase tudo rss... Acho que deixar as coisas acontecerem em seu tempo é o melhor método... Eu simplesmente me desligava do mundo e curtia tanto aquele momento que quando percebia aquela velha calça já estava cabendo direitinho rss... E assim vai ser quando meu pequeno Arthur chegar.

    Parabéns pela gravidez!

    Beijosss

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Obrigada por visitar o Caraminholas! Fico muito contente em saber sua opinião.