sexta-feira, 15 de julho de 2011

Despedindo-se das Caraminholas...

A hora do encontro é também despedida, já diz a canção... Há muito tempo que não consigo caraminholar, pois agora tenho uma linda ocupação full-time: meu amado filho Benjamin. Como o assunto "maternagem" é o que mais me interessa no momento, decidi encerrar o Caraminholas. Foi muito legal a experiência, conheci pessoas muito legais através do blog, e sei que muitas pessoas, inclusive amigos e familiares, puderam me conhecer melhor através de tudo que postei e compartilhei por aqui.
Muita gratidão!

Se quiserem continuar me acompanhando, acessem o blog Maternando Ben, onde falo sobre a aventura de ser mãe e compartilho informações e reflexões sobre maternagem, amamentação, parto e outros assuntos maternos.

Então ficamos por aqui, pessoas! Muita paz, luz e felicidade para tod@s!

Muitos beijos,

Aline, a mãe do Benjamin

terça-feira, 8 de março de 2011

Escolhas e criação de nossos filhos

 Arroz colorido com farinha de beterraba, feijão, bolo salgado de talos e folhas de couve-flor e beterraba, hamburguer de lentilha, curry de batatas e saladinhas... Este foi o almoço do Benjamin hoje. Comida saudável, gostosa e feita com amor.


Agora que estou grávida, muitas pessoas me questionam sobre se vou "deixar" o Benjamin comer carne. Acho engraçada e estranha esta pergunta. Não se vê por aí ninguém perguntando para um católico se tem certeza que vai mesmo batizar o filho dentro dos rituais de sua religião e levá-lo à sua igreja. Ninguém acha estranho que os pais vistam seus bebês da cabeça aos pés com as cores do Inter e do Grêmio. Alguém pergunta: "Mas tu não vai deixar ele escolher o time para o qual torcer?" Acho que não. Por quê? Porque é ponto pacífico que cada um ensina a seus filhos o que acha que é certo, não é mesmo? Então, não seria natural que eu ensinasse meu filho a ser vegetariano?

Não que eu ache que esta seja uma questão de deixar ou não. Com certeza, não vou proibir que coma carne se quiser. O pai dele não é vegetariano (apesar de admirar e me apoiar em minha escolha) e muito menos o resto da família. Ou seja, proibir pode significar promover uma cruzada do tipo "eu versus todo mundo" e ainda criar confusão e angústia para ele e um baita estresse para mim.
Acho que o que tiver que acontecer deverá ser de forma natural, sem forçar a barra.
Em casa ele só comerá comida vegetariana, pois eu não cozinho carnes. Mas tem a casa dos avós, dos parentes, as festinhas na escola...
Em minha opinião, o que será importante, sim, é explicar para ele o porquê da minha escolha quando ele tiver idade ou mostrar curiosidade sobre o assunto. Vou dizer para ele de onde vem a carne, explicar que a bandeijinha no super ou o bife do prato são pedaços da vaquinha que vemos pastando ou da galinha que vemos no galinheiro ciscando. Acho que isso não pode ser negado a ele, não posso deixá-lo crescer sem saber a verdade, sem fazer esta associação. Mas, ao mesmo tempo, não posso também deixá-lo crescer sem a lição maior e que considero a mais importante: que em casa fazemos assim, mas outras pessoas fazem de outro jeito e que cada um faz suas escolhas, possui seu modo de vida e merece ser respeitado por isso. Se meu filho for vegetariano, óbvio, vou ficar feliz da vida, mas se ele for uma pessoa respeitosa, tolerante e solidária, aí, sim, cumpri minha missão como mãe.

Lembra-te, mulher...



Lembra mulher de quando teus pés descalços pisavam na terra molhada, depois da tempestade tão esperada

Recorda quando teus ouvidos sabiam compreender as mensagens que o vento assoprava para o teu espírito
Inspira fundo e sente o aroma daquela época onde viveste próxima aos frutos e às flores e tudo acontecia em tempo certo, sem apressamentos

Compreende que teu corpo e tua alma obedeciam à voz da Grande Mãe, e tua vida fluia plena de sabedoria, pois tu representavas a Deusa, o Sagrado Feminino, e de ti resplandecia toda a generosidade

Recorda que conhecias bem os mistérios da lua, tua irmã, e te guiavas por instintos e intuições, sonhavas com as respostas e cheia de confiança em teu coração guiava a tua vida e de tantos outros por caminhos seguros

Tua natureza, sempre disposta a dar vida e dela cuidar, ligada por estreitos laços aos ritmos e ciclos do universo, sabia cantar e dançar, e assim espalhava alegria pelo norte, pelo sul, pelo leste e pelo oeste, sem perder o teu centro

Rosa dos ventos e dos tempos, hoje estás novamente aqui, mas não te esqueça jamais de continuar a cumprir o teu sagrado papel
O Universo ainda carece do teu feminino...
Ah! Então canta e dança
E o destino dos homens se cumprirá!"

(Autoria desconhecida)

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Faltando pelo excesso



Olá, querid@s!
Algumas pessoas amigas já me disseram que estão sentindo falta dos meus posts. Legal mesmo saber que o pessoal lê o que escrevo e chega até a sentir falta!
O que tem acontecido é que estou faltando devido ao excesso. Me explico: tenho lido tanta coisa,  pesquisado, divagado, refletido e no fim acabo não sabendo o que escrever. Estou bloqueada devido ao muito, entendem? Exterogestação, sustentabilidade, palpites alheios, a gravidez e o feminino... Nossa! São tantos assuntos, são tantas coisas sobre o que escrever... Claro, como vocês podem ver, TUDO relacionado à gravidez, deem-me um desconto, né?
Juro que vou tentar sistematizar um pouco essas informações-ideias-conceitos todos e voltar a escrever algo aqui. Não quero abandonar minhas Caraminholas, gosto muito delas. :-D

Por ora, o que posso lhes dizer é que a  gravidez, a espera de um filho, é um momento muito, muito especial. E estamos vivenciando esta fase de um jeito muito gostoso, cheio de expectativas, de descobertas, ampliando a este terceiro ser humano que vem por aí o espírito de comunhão, total compreensão e dedicação que sempre nutriu nosso relacionamento. Queremos fazer todo o possível para fazer de nosso Benjamin uma criança muito feliz!


Deixo-vos com a trilha sonora do momento aqui em casa. A mãe do Benjamin adora! E acho que ele também, pois fica fazendo festa na barriga, a minha pipoquinha deliciosa!

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Gravidez full-time

Ando sumida mesmo, eu sei. Além de estar de férias e não andar muito a fim de ficar em frente ao computador, sinto-me totalmente voltada para minha gravidez, querendo me preparar, lendo muito, meditando, fazendo yoga e esperando pelo meu menino que chegará, para nossa imensa alegria, neste ano de 2011.
São tantas mudanças, tantas expectativas, alguns medos (os quais temos que "parir" antes do parto, como li outro dia em um lindo texto escrito pela doula Kalu, do Mamíferas) e muita, mas muita vontade de fazer tudo o que for possível para que meu filho seja a criança mais feliz do mundo... Sinto coisas que nunca senti antes, a cada dia sinto que meu bebê está me tornando uma pessoa melhor, menos crítica, mais amorosa e compassiva. Ele está me ajudando a ser mais light, a pegar mais leve comigo e com os outros, a confiar no futuro e a desejar com todas as minhas forças um mundo melhor. Ou seja, ser a mãe deste menino (que em breve terá um nome) é tudo de bom!

Então é isso, querid@s, passei para dar uma satisfação a vocês sobre meu sumiço, dar notícias e dizer que o Caraminholas não acabou, só estamos dando um tempo para a mamãe aqui chocar o ovo, com muito carinho, fé na vida e otimismo.
Estamos saindo em viagem amanhã e passaremos duas semanas em Aracaju com uns amigos, curtindo praia, água de coco e conhecendo um monte de coisas legais. Cuidem-se por aí! Até a volta!

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Maternar ou entrar logo na velha calça jeans? Eis a questão


O que você faz depois de ter um filho? No que depender do exemplo das celebridades brasileiras (e do que é noticiado sobre elas) você deixa o album do bebê de lado e o descanso fica para outra hora. Isso não é importante. Não há tempo a perder. A única coisa urgente é que você entre em forma imediatamente. Depois que isso acontecer, você vai ser capa de uma revista contando como "queimou" 15 quilos em um mês. A revista vai vender bastante. E virar notícia na internet.

Fiquei chocada com a matéria "Famosas decretam o fim do resguardo".
Quer dizer que pouco mais de um mês depois de ter dois bebês, a prioridade é "correr atrás do prejuízo", como está fazendo Giovanna Antonelli? Ou que com um bebê de dois meses é preciso passar por um "sério tratamento" como vai fazer Adriane Galisteu?

Nem quero entrar no mérito de quão danoso esse tipo de comportamento das celebridades seja para todas as mulheres comuns que penam para voltar ao seu corpo "normal". Sei que é difícil, porém, nesse ponto, acho que é responsabilidade nossa resistir a todos esses apelos, cultivar o carinho e o amor por nossos corpos como eles são e relaxar na nossa pele, pois a mídia vai continuar nos bombardeando, o photoshop vai continuar correndo solto e teremos que ser mais fortes que tudo isso. Temos que colocar em nossas cabeças de uma vez por todas que viver deixa marcas, que cada ruguinha e fio de cabelos branco simbolizam mais um pedacinho de nossa estada neste maravilhoso planeta. Imaginem, então, ter um filho? Quer experiência mais densa, complexa, viceral e tudo o mais de forte, gostoso, mamífero que puder existir? Como podemos voltar a "ser o que éramos antes" depois de passar por ela?

O que quero abordar aqui é outra questão: e os bebês dessas mulheres? Como ficam? Bebês com menos de um mês ficam com outra pessoa que não a mãe para que esta vá "recuperar a barriga malhada"? E a amamentação? E o colo? E o cheiro de mãe? Sempre tive muito clara a necessidade de a mulher se doar totalmente ao bebê nos primeiros meses, acho que isso está incluído no pacote "engravidar+ser mãe". Agora que estou grávida, então, essas coisas mexem ainda mais comigo. Um bebê é uma criaturinha complexa, que possui muito mais necessidades que o binômio "estar limpo-estar alimentado". Eles precisam de afago, de colinho, precisam se sentir seguros, precisam que apresentemos a eles com suavidade, com tranquilidade este mundão cheio de estímulos e que pode ser bem assustador para quem é muito pequeno e estava até pouco tempo atrás protegido e quentinho dentro do ventre materno. Isso é maternagem.
E dar isso a nossos filhos, definitivamente, não combina com a busca do corpo perfeito.

No Mamíferas tem um artigo bem legal da Rezica falando exatamente disso. Vai lá!

domingo, 21 de novembro de 2010

Mudando a forma de nascer, mudamos o mundo

Vamos deixar o bebê. E entregá-lo, por alguns momentos, à mãe, depois de ele ter provado as alegrias da solidão, da imobilidade.
Deitado sobre o peito querido, orelha contra coração, o bebê reencontra o som e o ritmo familiar.
Tudo está feito. Tudo é perfeito.
Esses dois seres que lutaram corajosamente, transformam-se num só.
(Frédérick Leboyer)


Por volta de década de 1970, um obstetra francês comum, homem apressado e que fazia inúmeros partos por dia entrou em crise com seu trabalho. Surgiu, então, a oportunidade de viajar à Índia, onde fez terapia oriental com um guru e reavaliou seu trabalho como parteiro. Este homem foi Frédérick Leboyer, autor do clássico da humanização do parto Nascer Sorrindo. Li este livro faz pouco, na verdade, devorei-o em um dia, após ganhá-lo de presente uma amiga querida. É lindo, tocante, e eu o colocaria entre as "leituras obrigatórias" de todos os casais grávidos. Nele, o obstetra defende uma forma menos violenta de nascer: sala com pouca luz, silêncio, massagem nas costinhas do bebê, sem pendurá-lo pelos pés, nem dar palmadas para abrir os pulmões. Um outro aspecto importante é não cortar o cordão umbilical de imediato, esperando que ele pare de pulsar para que a transição respiratória se dê de forma mais suave para o recém-nascido.
Em outras palavras, o que ele propõe é que se trate com o respeito e a reverência necessários o momento mais Sagrado do mundo: o vir à luz, momento de celebração da Vida, em que os protagonistas são mamãe e bebê. Simples assim.



  • Imagem do livro Nascer Sorrindo, foto de Frédérick Leboyer
  • O título do post faz referência à frase de Michel Odent, também obstetra francês ativista da humanização do parto: "Se quisermos mudar o mundo, devemos mudar a forma como nascemos."